PRÉ E PÓS-OPERATÓRIO

Cicatriz hipertrófica após a cirurgia plástica: hábitos que aumentam o risco

Por Dra. Giovana Giordani · Cirurgiã plástica, membro titular da SBCP

A cicatriz é uma parte inevitável de qualquer cirurgia, e a forma como ela evolui depende de vários fatores. Em algumas pacientes, a cicatrização produz uma marca mais espessa, elevada e avermelhada, chamada cicatriz hipertrófica. A predisposição genética tem um peso importante, mas certos hábitos do pós-operatório podem manter a cicatriz sob tensão e inflamação, favorecendo esse quadro. Conhecer esses fatores ajuda a paciente a participar ativamente da própria recuperação.

Cicatriz cirúrgica horizontal na região abdominal em fase de cicatrização

O que é a cicatriz hipertrófica

Durante a cicatrização, o organismo produz colágeno para reparar a pele. Na cicatriz hipertrófica, essa produção acontece em excesso, e o resultado é uma marca mais grossa, saliente e avermelhada, que permanece dentro dos limites da incisão original.

Ela é diferente do queloide, que ultrapassa os limites da cicatriz e tende a crescer com o tempo. A cicatriz hipertrófica costuma surgir nos primeiros meses e, em muitos casos, melhora gradualmente com o acompanhamento adequado.

Tensão na região operada

Pegar peso, elevar os braços além do que foi liberado ou fazer movimentos bruscos estica uma cicatriz ainda imatura. A tensão repetida é um dos principais estímulos para a produção excessiva de colágeno.

Por isso, respeitar os prazos de retorno às atividades não é apenas uma questão de conforto: é uma forma de proteger a qualidade da cicatriz.

Manipulação da cicatriz sem orientação

A coceira faz parte do processo de cicatrização. Coçar, retirar crostas ou massagear a região antes do momento indicado, porém, gera pequenos traumas repetidos numa ferida que ainda está se fechando, o que prolonga a inflamação.

Massagens e outras terapias podem ser úteis, mas devem começar no momento e da forma orientados pela cirurgiã.

Retirar a malha cirúrgica antes do tempo

A malha comprime a região, reduz a tensão sobre a cicatriz e a protege do atrito com as roupas. Retirá-la antes do prazo, por desconforto ou pela sensação de que tudo já está bem, deixa a cicatriz sem essa proteção justamente na fase em que ela é mais vulnerável.

O tempo de uso varia conforme a cirurgia e a evolução de cada paciente, e deve ser definido pela cirurgiã.

Exposição ao sol sem proteção

A radiação solar inflama e pode escurecer a cicatriz recente, deixando a marca mais aparente de forma duradoura. Enquanto a pele ainda não estiver totalmente fechada, o ideal é cobrir a região com roupa.

Depois da liberação, o protetor solar deve ser aplicado diariamente, inclusive sobre a cicatriz, durante todo o período de amadurecimento, que pode levar meses.

O papel da genética

Os cuidados reduzem o risco, mas não o eliminam. Algumas pacientes têm tendência à cicatriz hipertrófica e podem desenvolvê-la mesmo seguindo corretamente todas as orientações, com malha, placas de silicone e proteção solar.

Se há histórico familiar ou se você já teve cicatrizes grossas e elevadas em cirurgias, piercings ou tatuagens, informe isso na consulta. Essa informação permite planejar medidas preventivas e um acompanhamento mais próximo desde o início.

A qualidade da cicatriz resulta da combinação entre predisposição individual, técnica cirúrgica e cuidados no pós-operatório. Evitar tensão, não manipular a cicatriz sem orientação, usar a malha pelo tempo indicado e proteger a região do sol são atitudes simples que fazem diferença. Diante de qualquer alteração, como espessamento, vermelhidão persistente ou coceira intensa, o ideal é procurar a cirurgiã para avaliar o tratamento adequado.

Ficou com alguma dúvida?

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