MAMA
Técnica Preservé: como funciona o aumento mamário com preservação dos tecidos
Por Dra. Giovana Giordani · Cirurgiã plástica, membro titular da SBCP
A mamoplastia de aumento não depende apenas do tamanho ou do formato da prótese. A maneira como o espaço para o implante é preparado também influencia a recuperação, a cicatriz e a relação do implante com os tecidos da mama. A técnica Preservé foi desenvolvida com uma proposta específica: realizar essa preparação com menor manipulação das estruturas naturais. Isso não significa que seja a melhor escolha para todas as pacientes, mas acrescenta uma possibilidade ao planejamento individualizado da cirurgia.
O que é a técnica Preservé
Preservé é uma abordagem para aumento mamário que utiliza instrumentos próprios para criar o espaço onde a prótese será colocada. Em vez de realizar um descolamento amplo, a técnica busca separar e acomodar os tecidos de maneira controlada, preservando o máximo possível da estrutura interna da mama.
A proposta é reduzir o trauma cirúrgico sem abrir mão do posicionamento preciso do implante. É importante diferenciar a técnica do implante: Preservé descreve a forma de preparar a mama e inserir a prótese, enquanto volume, perfil e tipo de implante continuam sendo decisões próprias do planejamento.
Como a preservação dos tecidos muda a cirurgia
Na técnica, o cirurgião cria um pequeno acesso no sulco abaixo da mama. Instrumentos específicos auxiliam na abertura de um caminho e na expansão gradual do espaço destinado ao implante. Um dispositivo de inserção permite conduzir a prótese por esse acesso com menor contato e menor pressão sobre as bordas da pele.
Ao limitar o descolamento, busca-se manter vasos, terminações nervosas e estruturas de sustentação sempre que a anatomia permite. A incisão pode ser menor do que em algumas abordagens convencionais, mas seu tamanho final depende do implante escolhido, das características dos tecidos e da segurança necessária durante o procedimento.
Planejamento e escolha do implante
Uma cirurgia menos invasiva continua exigindo um planejamento cuidadoso. Medidas do tórax e das mamas, espessura dos tecidos, elasticidade da pele, assimetrias e objetivo de volume precisam ser avaliados antes da escolha do implante.
O resultado natural não vem apenas da técnica. Ele depende da compatibilidade entre a prótese e a anatomia da paciente. Um volume que ultrapasse a capacidade dos tecidos pode aumentar a tensão e comprometer a estabilidade, mesmo quando a colocação é realizada por uma abordagem de preservação.
Para quem pode ser indicada
A Preservé pode ser considerada principalmente em cirurgias primárias de aumento mamário, quando há condições adequadas de pele e tecido para receber o implante. Pode interessar a pacientes que desejam acrescentar volume e valorizam uma abordagem com menor manipulação cirúrgica.
Nem toda mama pode ser tratada apenas com a colocação de uma prótese. Quando existe queda importante, excesso de pele, assimetria acentuada ou necessidade de uma cirurgia reparadora, uma mastopexia ou outra estratégia pode oferecer um resultado mais seguro e coerente. Reoperações também precisam de avaliação específica, pois cicatrizes internas e alterações na cápsula podem exigir uma abordagem diferente.
Recuperação: menos invasiva não significa sem cuidados
Uma menor manipulação dos tecidos pode estar associada a menos desconforto, inchaço e limitações no início da recuperação. Ainda assim, não existe prazo igual para todas as pacientes nem retorno imediato garantido. A evolução depende da anatomia, do volume do implante, da resposta individual e do protocolo adotado pela equipe.
Uso do sutiã cirúrgico, posição para dormir, movimentação dos braços, direção e exercícios devem seguir orientações individualizadas. Consultas de acompanhamento continuam essenciais para observar a cicatrização, o posicionamento das próteses e a retomada gradual da rotina.
Uma técnica moderna, com indicação precisa
Preservar tecidos é um princípio valioso, mas o nome de uma técnica não substitui a indicação médica. Também não elimina os riscos associados a qualquer cirurgia ou à presença de implantes mamários.
Na consulta, a comparação deve considerar o que cada abordagem pode entregar para aquela anatomia — incluindo cicatriz, sustentação, necessidade de retirar pele, posição do implante e expectativas de resultado. A melhor escolha é a que combina segurança, proporção e previsibilidade para cada paciente.
A técnica Preservé amplia as opções para o aumento mamário ao priorizar menor descolamento e preservação das estruturas naturais. Sua indicação, porém, depende da anatomia e dos objetivos de cada paciente. Uma avaliação detalhada é o que permite definir se essa abordagem, uma técnica convencional ou a associação com mastopexia faz mais sentido.
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