PRÉ E PÓS-OPERATÓRIO
30 dias de abdominoplastia: o que pode e o que ainda deve esperar
Por Dra. Giovana Giordani · Cirurgiã plástica, membro titular da SBCP
Depois do primeiro mês de abdominoplastia, muitas pacientes já se sentem melhor e querem retomar a rotina. Essa volta precisa ser gradual: algumas atividades costumam ser liberadas nessa fase, enquanto outras ainda podem aumentar a tensão sobre a cicatriz e a parede abdominal. Os prazos variam conforme a cirurgia e a recuperação de cada pessoa, por isso a orientação da cirurgiã que acompanha o caso deve sempre prevalecer.
Caminhadas leves, mas ainda sem impacto
Caminhar em ritmo confortável, por períodos curtos e várias vezes ao dia, ajuda a circulação e a recuperação. A distância e a velocidade podem aumentar aos poucos, sem provocar dor ou desconforto.
Corridas, pulos e treinos de alta intensidade ainda costumam esperar. O impacto movimenta a região operada e pode aumentar o inchaço. Em muitos casos, essas atividades são retomadas entre 60 e 90 dias, sempre após avaliação.
Dirigir e trabalhar: observe conforto e mobilidade
Dirigir pode ser possível quando a paciente consegue entrar e sair do carro, virar o tronco e fazer uma frenagem rápida sem dor ou limitação. O uso de medicamentos que causem sonolência também precisa ter terminado.
O retorno ao trabalho depende da atividade. Funções sem esforço físico costumam ser retomadas com mais facilidade, desde que haja pausas para levantar e caminhar. Carregar compras, malas ou crianças no colo ainda deve ser evitado até a liberação, porque o peso aumenta a pressão sobre o abdômen e a cicatriz.
Exercícios: a volta acontece por etapas
Com cerca de 30 dias, bicicleta, aeróbico leve e musculação de pernas com pouca carga podem ser considerados, desde que os movimentos não sobrecarreguem o abdômen. A intensidade deve aumentar gradualmente.
Abdominais e pranchas exigem diretamente a musculatura reparada durante a cirurgia e costumam ficar para três meses ou mais. Exercícios de braços e peito também acionam o abdômen para estabilizar o corpo e, em geral, aguardam aproximadamente 60 dias. Esses prazos são referências, não uma liberação automática.
Cicatriz, cinta e posição para dormir
A cicatriz ainda está em processo de amadurecimento e pode escurecer com o sol. Mesmo depois do primeiro mês, deve permanecer protegida com roupa e filtro solar conforme a orientação médica.
A cinta ajuda a controlar o inchaço e oferece suporte à região operada. O uso costuma durar de 30 a 45 dias, mas não deve ser interrompido por conta própria. Dormir de bruços também deve esperar, pois a pressão direta sobre o abdômen pode causar desconforto e interferir na recuperação.
Vida social e drenagem linfática
Passeios tranquilos, cinema e encontros sem esforço físico geralmente já fazem parte da rotina nessa fase. Roupas confortáveis e o uso correto da cinta ajudam a manter o bem-estar durante as saídas.
A drenagem linfática pode contribuir para reduzir o inchaço e tornar a recuperação mais confortável, mas deve ser feita por profissional habilitado e somente com autorização da cirurgiã.
Aos 30 dias, a recuperação já avançou, mas ainda não terminou. Caminhar, dirigir, trabalhar e realizar atividades leves podem ser possíveis; impacto, carga e exercícios que exigem o abdômen ainda precisam esperar. Cada corpo tem seu próprio ritmo, e a liberação de cada etapa deve ser individualizada.
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